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Archive for janeiro, 2012

UNESP SEDIA INSTITUTO SUL-AMERICANO DE PESQUISA FUNDAMENTAL EM SÃO PAULO

janeiro 30th, 2012

Está marcado para início do próximo mês de fevereiro o arranque das atividades do designado Instituto Sul-Americano de Pesquisa Fundamental (SAIFR, na sigla em inglês), que estará sediado no campus da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em São Paulo no Bairro da Barra Funda. Este novo centro será a primeira unidade, na América do Su,l do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP, na sigla em inglês), vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), localizado em Trieste (Itália).

Este novo instituto tem o objetivo de se tornar um centro de excelência em física teórica no continente. Além da pesquisa, o centro organizará escolas avançadas e workshops internacionais, receberá pesquisadores visitantes e pós-doutores e promoverá um intenso intercâmbio entre alunos e pesquisadores do Brasil e do exterior.

O ICTP-SIFR – cuja instalação conta com apoio da FAPESP – terá no continente sul-americano papel semelhante ao centro de Trieste, que foi fundado em 1964 pelo paquistanês Abdus Salam, laureado como prêmio Nobel da Física em 1979.

Os recursos do ICTP-SIFR serão garantidos através de uma parceria entre a Unesp, o ICTP e a FAPESP, sendo que a UNESP ficará responsável pela contratação de cinco pesquisadores permanentes, que por cinco anos realizarão estudos independentes e atuarão na pós-graduação da universidade, orientando alunos e colaborando em pesquisas.

Por seu turno, o ICTP financiará a participação de pesquisadores de outros países da América do Sul que se interessem por participar das atividades do novo centro, enquanto que a FAPESP financiará o centro por meio do Projeto Temático “ICTP Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental: um centro regional para física teórica”.

O novo prédio do IFT, onde será a sede do centro, é constituído por um auditório com 120 lugares, laboratório de informática para 40 pessoas, salas de aula e salas para pesquisadores visitantes e pós-doutorandos.

Mais informações: www.ictp-saifr.org

 

(Rui Sintra – Jornalista, com informações da FAPESP)

TRATAMENTO PARA MICOSE DE UNHA ATRAVÉS DE TERAPIA FOTODINÂMICA

janeiro 16th, 2012

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (USP) utilizam a técnica de inativação de microorganismos por terapia fotodinâmica para combater fungos causadores da onicomicose – a temida micose de unha. A expectativa é produzir um aparelho prático e disponibilizar a técnica de maneira acessível a toda população.

A terapia fotodinâmica, técnica que combate doenças, baseada na utilização de luz para ativação de compostos medicamentosos, tem sido presença cada vez mais forte no tratamento de enfermidades, principalmente na área da dermatologia. Recentemente, presenciamos a explosão midiática referente ao desenvolvimento e distribuição, no Sistema Único de Saúde (SUS), de um aparelho para diagnóstico e tratamento do câncer de pele, baseado na mesma técnica. Além do descarte da intervenção cirúrgica, o que diminui riscos e garante um melhor resultado estético, a promessa é de que a técnica apresente resultados significativos em até dez dias, destruindo de maneira seletiva células cancerosas e pré-cancerosas. Mas este tratamento tem aplicações que vão muito além do combate a tecidos e tumores. Uma equipe do Instituto de Física de São Carlos aplica a técnica para combater fungos e bactérias – a chamada inativação fotodinâmica -, através de um protótipo, em pacientes em estágios avançados de onicomicose.

A onicomicose, mais conhecida como micose de unha, é uma infecção muito recorrente, causada basicamente por fungos que podem ser adquiridos de várias formas, desde o contato com o solo até a utilização de alicates ou lixas contaminadas. Algumas pessoas acabam por sofrer deste mal por muitos anos sem sucesso em tratamentos, sentindo muita dor e sofrendo de outras infecções bacterianas que podem se alojar no local. Isso ocorre porque os tratamentos convencionais são mais paliativos do que uma solução definitiva, e são associados a altas taxas de falha e recorrência.

O Grupo de Óptica do IFSC, por iniciativa do professor Vanderlei Bagnato, tem trabalhado há alguns anos com a técnica de inativação fotodinâmica de microorganismos causadores de doenças. Sabendo deste potencial da técnica na inativação de fungos e bactérias, e considerando o quadro atual do tratamento da micose de unha, foi pensado um projeto de pesquisa nesta área e um protótipo do equipamento foi desenhado. Rapidamente uma colaboração teve início com Ana Paula da Silva, uma farmacêutica em formação, na época, que já trabalhava com a técnica, mais especificamente com medicamentos fotossensibilizadores em shampoos para o tratamento da caspa. Logo foi firmada uma parceria com a faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo, através do professor Armando Bega, do Curso de Podologia, o que avançou muito a pesquisa devido à infraestrutura disponível na faculdade paulistana. Atualmente, a mestranda Ana Paula viaja semanalmente para a capital, onde trata cerca de quarenta pacientes – entre casos finalizados e em processo de finalização.

Funcionamento

Para o diagnótisco da onicomicose, a mestranda Ana Paula faz uso de um equipamento de fluorescência, já disponível no mercado para o diagnóstico de cáries e placas bacterianas. O equipamento permite uma localização mais exata dos fungos causadores da infecção através da fluorescência característica do próprio microorganismo.

Hoje, a pesquisa baseia-se na utilização de dois protótipos diferentes para o trato da unha, sendo que cada protótipo trabalha com um comprimento de onda diferente, a fim de ativar diferentes substâncias nos medicamentos, que se diferenciam tanto em estrutura química quanto em espectro de absorção. São compostos fotossensíveis bem diferentes, comenta Natalia Mayumi Inada, especialista em laboratório do Grupo de Óptica e orientadora do projeto. O intuito é comparar a eficácia de cada composto, e para isso utilizamos, para cada um, uma fonte de luz específica: uma na região do vermelho e outra na região do azul, completa.

Prototipo experimental

Assim, o equipamento, liberando a luz em um comprimento de onda específico, tem a função de ativar o composto fotossensível que, já em contato com a unha danificada, gera espécies reativas de oxigênio que são prejudiciais aos microorganismos. Estas espécies reativas de oxigênio são tóxicas para o fungo ou para a bactéria e acabam por eliminá-los, esclarece Natalia. A medicação fica em contato direto com a lesão durante apenas uma hora, iluminada por vinte minutos. Com a rapidez da ação, Ana Paula conta que consegue tratar de dez a quinze pacientes por dia.

Tanto o protótipo do equipamento quanto a técnica da inativação fotodinâmica já estão patenteadas. As medicações utilizadas são comerciais, já aprovadas para estudos clínicos experimentais – uma de origem russa e outra nacional, sintetizada por uma indústria farmacêutica de Ribeirão Preto.

Próximos passos

Na próxima etapa desta pesquisa, após a finalização do tratamento dos pacientes em São Paulo, a equipe pretende montar uma infraestrutura em Ribeirão Preto. Isso porque uma empresa especializada na área médica e odontológica, sediada em Ribeirão Preto, manifestou interesse em transformar o protótipo em equipamento e produzi-lo. Assim, haveria uma colaboração com uma podóloga para o tratamento de um grupo de pacientes, grupo do qual sairiam resultados que seriam enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária para a aprovação do equipamento e desenvolvimento do produto final. A empresa tem avançado muito na área de Podologia, disponibilizando infraestrutura moderna para clínicas de podologia, e por isso demonstrou interesse em oferecer aos podólogos um equipamento para o tratamento da onicomicose em seu próprio consultório.

Uma outra parceira em potencial é uma indústria de cosméticos localizada em São Paulo, que pretende fechar mais um grupo de pacientes na capital e também desenvolver o equipamento de maneira comercial. Para nós, essa parceria com indústrias é muito importante para tornar a técnica acessível na comunidade, porque sabemos que o projeto de pesquisa vai chegar ao fim, ao contrário do número de pacientes sofrendo desta doença. Estamos trabalhando a todo vapor para que a técnica seja difundida, sobretudo de maneira economicamente acessível, comenta Natalia. Pelas experiências anteriores, sabe-se que isto é uma realidade muito possível – a mídia divulgou amplamente a distribuição de um equipamento para diagnóstico e tratamento do câncer de pele no Sistema Único de Saúde (SUS), um projeto desenvolvido pelo mesmo grupo de pesquisa no IFSC e que também funciona com base na terapia fotodinâmica.

Panorama atual

O tratamento da onicomicose por terapia fotodinâmica já existe, mas custa muito caro e poucos conseguem usufruir das vantagens da técnica. Por isso, atualmente, o tratamento da onicomicose se dá de duas formas: via oral ou tratamento tópico. Em ambos os casos, a resposta não é tão eficaz, razão pela qual a maioria dos pacientes tratados por Ana Paula sofre desse mal há anos. Além disso, quem toma medicamento tem efeitos colaterais, e a terapia que utilizamos tem aplicação local e se utiliza de medicação tópica, o que também contribui para impedir que os microorganismos criem resistência, explica Ana Paula. Já foi provado que alguns microorganismos específicos desenvolveram resistência a alguns medicamentos, completa Natalia. No caso da inativação fotodinâmica, os pacientes podem ser submetidos a quantas sessões do tratamento forem necessárias. “Nossa única recomendação, neste sentido, é que haja um intervalo de uma semana entre cada aplicação“, observa Natalia.

As pesquisadoras Ana Paula da Silva e Natalia Mayumi Inada

O tratamento está sendo oferecido gratuitamente, de maneira experimental, nesta etapa do desenvolvimento da pesquisa. Segundo as pesquisadoras, a maioria dos pacientes já se mostra muito desacreditada com os tratamentos convencionais e não vê mais solução para seus casos, mas esta terapia têm mudado suas perspectivas de saúde e bem-estar, até porque basta comparecer ao local e não faltar às sessões, conta Natalia.

Pesquisa básica

O interessante deste projeto de pesquisa é que, além da aplicação prática do tratamento, Ana Paula desenvolve uma cultura dos microorganismos em laboratório – o chamado processo in vitro, maneira pela qual se investiga processos biológicos fora de sistemas vivos. Ana Paula cultiva, em placas, uma grande parte da linhagem dos fungos causadores da onicomicose e aplica a terapia fotodinâmica para avaliar sua reação. É a associação da pesquisa básica, que é a parte laboratorial, com a pesquisa aplicada, que é a parte clínica em si, envolvendo pacientes. Isto desperta muito o interesse da comunidade, desde pacientes em potencial até outras universidades e empresas que pretendem colaborar e difundir a técnica“, finaliza Natalia.

(Rui Sintra – Jornalista, by Assessoria de Comunicação do IFSC-USP)